quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Tornado visível.

Há mais de mês e meio que não me registo em palavras escritas. Mas as acções têm sido tantas, tantas, tantas que nem o fim de ano mas vai 'obrigar' a sistematizar em síntese. Aliás o fim de ano não obriga a nada. A tudo me obrigo eu, e here we go again.. quem fala quando digo 'eu'?
Estes seis meses foram um curso bem intensivo. E em muitas coisas parece que regredi. Noutras avancei. Noutras resolvi. Noutras mantive-me. Tudo igual a todos os processos, em suma. Com uma diferença: muito menos negação, mais confrontação interior, alguma aceitação e perdão, também interiores.
Estou muito contente por estar a acabar estes seis meses. E pretendo celebrar o trabalho e as surra que apanhei e que 'entre mortos e feridos' superei.
Porei os sentidos em 2011, alguns já lá estão - ou já o sentem - com mais andaimes interiores, estruturas algumas delas basilares que me faltavam, e quanto me faltavam... Estarei ainda em processo iniciático.
Mas estarei.
A Sombra continuará a manifestar-se, e a fazer o que é suposto: manter-me escuro o caminho que percorro passo a passo para o ir iluminando a cada um que dou. Presentes dados e vividos no Presente, nos interstícios da Sombra.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Pequeno milagre.

Entrei no restaurante. 

Só havia uma mesa para dois, no centro da sala. Todas as outras estavam ocupadas por gente que fazia o seu almoço de feriado. Assumi o  centro da sala, indistinto no meio do todo.
Pedi o normal. Sorria, cansado da viagem a conduzir e olhando de vez em quando para o televisor obrigatório, lembrando momentos íntimos e intensos do fim de semana passado em Lisboa. 
Chega o almoço e começo a comer.
De repente, à frente do meu olhar mas atrás da minha atenção, entra um sujeito pedindo esmola. Vestia verde, uma sweat com capuz.
Fingi não o ver, mas assistia às várias negas que as pessoas lhe iam dando. Pensei que os responsáveis pelo serviço o deviam encaminhar à porta e livrar-nos do constrangimento da presença do homem. Pensava ao mesmo tempo que assim que ele chegasse perto de mim lhe negaria a esmola, e esperava que ele não se detivesse muito tempo a importunar-me o almoço.

De repente, no fundo na minha mente, oiço claramente: 'entrou a tua oportunidade'.

Foi-se aproximando de mim, gradualmente, mesa a mesa. Quando finalmente me olha, faz um gesto de que quer comer. Não me pede esmola, como esperava. Pede-me com o gesto da mão à boca. 
A minha reacção? 

'Queres uma sopa? Senta-te', e indico-lhe a cadeira à minha frente. Sinto uma vibração geral no restaurante.
O rapaz senta-se. Dou por mim a pensar: 'uma sopa? uma sopa? ofereci-lhe uma sopa e estou a comer filetes, destacando peixe da massa que o cobre, porque não quero engordar, apesar de cometer as maiores alarvidades em privado?'

Chamo o sr. A, empregado de mesa. Pergunto ao rapaz: 'queres uma francesinha?'. Ele acena que sim. 'E mais um fino sr. A'. Sr. A, sem me olhar, sorri.

O rapaz está ali, à minha frente. Sinto o embaraço da comunicação, mas caramba é uma pessoa!! Começo a falar com ele e a sensação é a de total tranquilidade. 'Um barraco muito gente' repete ele vezes em conta. Pergunto-lhe de onde é. É dificil a comunicação. Finalmente ele percebe e responde: 'Roménia'. 'Há quanto tempo estás cá?: 'um barraco muito gente'. 'Que idade tens? Quantos anos?'. O vocabulário referente ao tempo escapava-lhe por completo. 

'Como te chamas? Eu sou João'. 'Christe', respondeu. As lágrimas verteram-se-me para dentro e a voz que me avisara da oportunidade, sorri.

Continuei a tentativa de conversa, infrutífera. Só conseguiu adiantar, mostrando-me o pé descalço: 'operaçon, operaçon'. Todo o tempo o sobreolho franzido e a sonoridade chorosa, à frente dum olhar castanho cheio e redondo.
Chegou o fino e o olhar ainda mais de abriu. Gesticulou: 'para mim?'. Acenei que sim. Bebeu com contenção. 
Ainda adiantou que passa o tempo a pedir, mas que não rouba. Eu levantei ambos os meus polegares e dei-lhe um grande sorriso, que percebi estava presente e constante.
Sentia-me de vez em quando olhado pela população do restaurante que, depois duma tensão inicial, retomou a normalidade das suas refeições.
Terminei de comer, mas ainda esperava a francesinha. Paguei porque tinha que ir trabalhar e receava chegar atrasado. Percebi que o que pedira para ele somava mais que a minha própria refeição. Fiquei feliz por esse facto.
Tentei retomar a conversa mas o português do Christe tinha-se esgotado e ele entretinha-se, no seu lado, sem ocupar mais espaço que não o do seu corpo, a ver a televisão. A páginas tantas, na novela que passava, um grupo de homens empunhava umas armas. Ele, apontou para a Tv e fez o gesto do empunhar duma arma, com ar assustado. Tentei perguntar pela família, pela idade, mas não consegui fazer-me entender. Contudo, Christe, gradualmente mais tranquilo, tira finalmente o capuz e expõe a sua cabeça e cara totalmente. Eu sorri-lhe. Ele retribuiu. 

Paga a conta, considerei ir-me embora, mas senti que não podia fazê-lo sem me assegurar que a refeição lhe era entregue, e assim fiz. 
Esperei. 
Esperei. 
E a voz dentro de mim, silenciosa, fazia-me sentir o seguinte: 'sente este tempo de espera. sente-o. não te envergonhes. sente o tempo'

Nisto, uma senhora, que já eu reparara estar a levantar-se, a fechar a carteira e a despedir-se de outras pessoas noutra mesa, dirige-se a mim: 'parabéns pelo seu gesto' diz ela. E olha para o Christe. Desarmado, respondo: 'obrigado, muito obrigado'.

A minutos da hora de inicio de ensaio chega a francesinha. Olho para ele, toco-lhe no ombro e despeço-me. Agradeço ao sr. A e peço-lhe que olhe por Christe enquanto termina.

E saí do restaurante.

(há poucos dias tinha-me perguntado a mim mesmo, surpreendido por uma situação em que um homem estava estatelado no chão, mas que outras pessoas já tinham providenciado o telefonema para a ambulância, e noutra ocasião em que eu poderia ter agido para ajudar um outro ser humano, perguntara-me, dizia, quando estaria preparado para deixar o meu coração agir. 'entrou a tua oportunidade'. O meu dia seguiu como normal. Mas teve, pela primeira vez na minha vida, um momento raro, um pequeno milagre.)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A cadeirinha com o encosto rasgado.

'Karma é uma emoção mal resolvida no passado', ouvi Nadia Grazina afirmar no Sapo Zen, da Heloisa Miranda.

Dou por mim, acordado à 4h30 da manhã.. Não me apetece escrever, mas preciso. Não me sinto com estrutura lógica suficiente para que as palavras saiam coerentes, e dá-me uma preguiça... e tenho tanto a acontecer..

Este fim de semana fui a Ceide, São Miguel. Casa da Camilo Castelo Branco.

Foi lindo. Fui, com o meu querido amigo N, que me pareceu, já desde que o conheci há dois meses, a pessoa indicada para me guiar a um destino que há muito queria ter visitado. Ainda em Fevereiro quando dava uma formação em Guimarães, passava várias vezes, na auto-estrada, pela saída de Ceide, e de todas essas vezes me apetecia ir visitar a casa de Camilo.

Eu nunca li uma linha escrita por ele. Sempre me escapuli a lê-lo. Nem sequer o Amor de Perdição. Li Herculano, Eça, Dinis, Garrett.. Nunca Camilo. Nunca me apeteceu. Também nunca fui um leitor fiel. Por isso sou muito ignorante das experiências dos outros. Os livros que li, alguns bem inusitados, ou mos forçaram a ler (e eu sempre fui muito cumpridor das minhas obrigaçõezinhas impostas) ou me apareciam à frente dos olhos e tornavam-se inevitáveis.

Ora, este sábado de prenúncio de tempestade de Outono, chegámos a Ceide depois de almoçarmos em Famalicão, onde e apaixonei por uma loja de roupa como nunca me tinha acontecido! Quando chegámos deparámo-nos com o Centro de Estudos e com a casa de Nuno, um dos filhos de Camilo.

No Centro de Estudos fomos recebidos pelo segurança e a sra responsável pela Casa, que fumavam: fomos os únicos visitantes desses dia.

No auditório do Centro apeteceu-me de imediato cantar e organizar um recital..

Olhei para alguns objectos de Camilo, pessoais, pinturas, serigrafias, quinquilharias! ao meu olhar de desdém..

Quando finalmente passámos o portão de entrada para o terreno da Casa, tive uma visão de carros de bois, e carruagens, que já tinha tido no caminho, enquanto guiava.

A entrada da Casa e a própria são duma beleza comovente. A Casa Amarela. De imediato se vê a 'Acácia do Jorge', uma árvore esplendorosa que protege a casa filtrando-nos o olhar do impacto directo com ela. Um véu que só transpira ternura. Disse-me N que o Jorge, segundo filho de Camilo e Ana Plácido, se empoleirava na Acácia a tocar flauta transversal..

Fomos recebidos pela Dª C que nos fez a visita guiada aos dois, um privilégio. Ao entrar, de imediato pergunto se as cartolas expostas no bengaleiro eram originais. Dª C explica que não: alguns objectos são-no, outros são meros móveis adquiridos para reconstituição da época. De imediato se fala no incêndio de 1915, quando já ninguém lá morava, ao qual, por isso, os móveis tinham sido poupados. Ainda assim só alguns eram originais..

Senti o desafio de saber distinguir quais os objectos reais e quais os cenográficos, como num exercício de intuição. Quando entrámos na sala de estar a minha mão vai directa a um canapé, como se precisasse de apoio. Contemplo a sala e tudo me parece limpinho demais, muito arranjadinho.. consequência dos restauros. O relógio de pêndulo era da casa. Não lhe dei importância. Às tantas olhamos para os retratos dos filhos de Camilo: Nuno, Jorge.. e Manuel, que Camilo tratou como um filho, facto que gerou a suspeita de paternidade, mas que não senti que o fosse, pelas distintas características fisionómicas com as feições dos outros dois..

Homem filho da puta! Fodeu que se fartou; desenterrou o cadáver duma ex-namorada com um amigo médico, manteve-as debaixo da cama e preservou o crânio (supostamente um exercício macabro de dissecação médica); órfão, filho de mãe incógnita; criado por tia que lhe quis roubar a herança em miúdo;  dívidas a toda a gente, degraças, desgraças, desgaças... nossa mãe do céu, que vida de cão!

Afirmei: 'mas não foi nesta sala que se matou!' Tinha sido, e Dª C mostrou-nos a cadeira. Nada daquilo me fazia sentido, pensava que a cena tinha ocorrido noutra divisão mais para o interior da casa.. mas não, tinha sido ali. O médico tinha visitado o casal, diagnosticado a cegueira inevitável a Camilo, um das consequências da sífilis, e, enquanto Ana acompanhava o médico à porta, Camilo decidiu dar um tiro na cabeça. Ouvido-o, ambos regressaram, deitaram-no no canapé (onde me tinha apoiado assim que entrara na sala) e aí o homem agonizou até morrer.

Jorge desenhava, para além de tocar flauta. Era esquizofrénico e morreu com 36 anos.

Nuno, foi para o Brasil, casado de conveniência pelo pai com uma filha dum comerciante rico.. a rapariga viria a morrer aos 19 anos. Nuno esbanjou tudo o que pôde. Regressou, casou de novo, teve um rol de filhos que deixou na penúria. Aliás toda aquela gente era desvairada, com um pai daqueles..

(Quase paniquei ao olhar os seus retratos e ao saber dos seus nomes, mais o de outra filha, que Camilo só mais tarde na vida reconheceu como sua. Patrícia. Paniquei porque aqueles nomes induziam-me amigos que conheço, para mais com semelhanças fisionómicas com os retratos..)

Bom, vimos a cozinha, os quartos dos filhos e de hóspedes, subimos ao primeiro andar e entrámos no escritório dele. Aí senti uma imensa familiaridade, apesar de tudo continuar a parecer estupidamente limpinho.

A secretária, os recipientes da tinta, a lamparina, o banco alto onde se apoiava para escrever - ele escrevia quase de pé.. como outros, foi-me dito. Fotos dos amigos mais chegados: o médico Ricardo Jorge, vibrou-me no olhar - lembrei que desde miúdo, quando passava pelo Instituto Ricardo Jorge em Lisboa, me sentia inexplicavelmente atraído pelo nome..

E chegámos ao quarto.. A parede tinha sido deitada abaixo por Ana Plácido para poder atender a Camilo na doença (os quartos eram separados, originalmente). Enquanto se explicavam os pormenores vários, e o meu olhar diambulava pela divisão, sem querer, dou por mim a perguntar por uma cadeirinha, na penumbra. Era de madeira, com assento e encosto em palhinha. A Dª C explica então, com olhar revelador dum certo espanto por eu ter antecipado surpresa da revelação, que a cadeira era dele e que o encosto tinha sido rasgado deliberadamente para ser mais confortável à pequena corcunda/chaga que Camilo tinha nas costas, da doença.

Senti uma imensa afeição pela cadeira, para mim, o objecto mais querido da casa. Senti-o como fonte de imenso alivio.. Era minúscula, mas também a criatura tinha 1,60m! Comecei a tirar fotografias: a cadeirinha com o encosto rasgado..

Seguimos ao quarto de Ana Plácido, depois à casa de banho. Aí, uma banheira aquecida a brasas chamava a atenção, mas o que me intrigou foi o armário. Dª C não costuma abri-lo, mas fê-lo para nós. Revelaram-se alguns objectos pessoais: uns botins atraíram-me o olhar, eram de Plácido, com um vestido, mais uma casaca duma amigo e duas caixas. Dª C fez suspense: 'quer saber o que tem esta caixa?'. Antes de dar a resposta, e porque a primeira coisa que eu tinha perguntado quando entrara na casa tinha sido pelas cartolas, ela mostrou-nos o que não costuma mostrar a ninguém: uma cartola de Camilo com as iniciais no forro. Tinha estado em exposição até ser vandalizada e cortada de lado por alguém dum grupo de alunos duma escola em visita de estudo. Apesar da raridade do momento, a cartola não me fez sentir nada..

Descemos à zona da antiga adega, agora espaço museu e merchandising. Mais objectos: os óculos de sol, bizarros que lhe protegiam a vista sensível, da doença. Um medalhão de Ana com a foto de Camilo e de outro homem: sensação de ciúme, imediata! O nome dele, conhecidíssimo, não o quis memorizar. Tinha o estranho hábito de fazer bolinhas de papel de jornal e colocá-las numa taça, em exposição, por sinal. No dia anterior a esta visita, dia 1 de Outubro, fez 150 anos que Camilo foi preso, por causa do processo Ana Plácido..

Regressámos ao andar de cima e tirei mais fotos. Despedimo-nos. Fotografei a casa. Uma 'tampa redonda' no chão, que me chamara a atenção antes de entrar na casa, voltou a fazê-lo: parecia o que teria sido um poço..

E de novo a Acácia do Jorge... uma imensa ternura..


Apesar das pequenas catarses de choro e de 'pequenos' ataques de pânico que tive como réplicas da visita, mais tarde durante a noite, fui ver com D, o 'Comer, Rezar, Amar' que a minha amiga M tencionara comprar (pela internet) para ir ver em Lisboa, e que, por engano, comprou para o Arrábida, tendo acabado por me oferecer os dois bilhetes! Depois de vários choros durante o filme (lindo, por sinal, e que tanto me lembrou a minha própria viagem à India) tive uma longa e maravilhosa conversa com D da qual saí com a mais mágica sensação de Bliss que já tive em toda a vida (que devia ser também do 'high on sugar' das pipocas!).

Um dia encantatório e mágico.

Um exercício de sensibilidade intuitiva parece-me ser a conclusão mais lúcida e verdadeira desta visita.

Dar-me-ia por muito satisfeito se conseguisse conhecer a fundo.. o João.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Super-Egóis da Sombra!

E vivam os Super-Egóis, que nos espelham os medos e a 'desnecessidade' do nosso Eu super-egóico, mostrando-lhe o que não quer ver, e que, como tal, quer de impulso ESMAGAR!! Os Super-Egóis são nossos amigos (entoação Isabel Alçada) e salvam-nos das forças do mal - neste caso as nossas próprias, interiores! Vivam os SUPER-EGÓIS!! (expressão inventada em brainstorm com o meu amigo FB, Rui Santana!)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Contorcionismo Interior

Dou por mim muito longe de mim. Percebo que estou à voltas, contorcendo-me internamente, a tentar encontrar uma forma de ser que agrade a um outro ser. (Como se eu pudesse saber o que de mim agrada ao outro. LOL). Um esforço de adaptação plástica interior, mental, mutante.  Como já fizera há um tempo, não muito distante. A grande diferença é que, agora, e no entretanto, afeiçoei-me a mim. E o esforço da contorção, apesar de ter existido por umas horas, morre à nascença.

A Sombra sorri. Puta!

:)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Como setas a indicar direcções diferentes...

... assim me sinto. Quando uma se demarca das demais vou atrás dela. Depois sou cruzado por outra que indica nova direcção. Confortável neste novo caminho, sou trespassado por nova e sigo-a.

Assim está o meu interior. As setas são pensamentos. E furam-me como as de Sebastião. A Sombra ri-se à gargalhada com o glamour que construo para a esconder, nas palavras que aqui vou 'escatologizando'. Não quero. Mas faço-o.

'Viagem?.. o carélio!' Ela não se incomoda nada com as viagens que faço para me construir como ser de enigma, de profundidade espiritual, de conexão quântica..

'P'ó carélio!' - repete! 'Tanta metaforização do podre! Ahahahahah! O podre é para ser mostrado como é, não como nos é mais fácil ou mais sedutor..'

Eu intervenho: 'Certo, mas não me queres destruir pois não?, queres curar-me...'

A Sombra cede. 'Viaja quanto precisares, mas não te enganes. Eu estarei aqui para te ir lembrando. E sabes bem as ferramentas que uso para to lembrar..'

A ameaça quer soar pedagógica, aos meus ouvidos..

Dramalhão!